segunda-feira, 17 de março de 2008

... 18 de março, rumando ao brasil


Ontem, dia 17 de março, assinalou-se o dia internacional da marinha... E hoje, vem-me à memória a aventura que uma menina decidiu enfrentar, por mares já antes navegados. Ela é, para mim, a marinheira mais valente e destemida, que alguma vez enfrentou as fúrias do Atlântico. Aos 20 anos, quis participar numa regata, a bordo de um veleiro com apenas 19 metros de comprimento, e 30 toneladas.
Há exatamente 8 anos, nesse veleiro de madeira - o Barconauta - estavam, essa mesma menina e outros 9 homens. A noite mostrava-se calma, mas a estação meteorológica de Monsanto debitava ainda mensagens de prudência. Com um atraso de 10 dias em relação ao resto da regata, que havia saído de Lisboa, não tinham escolha. Tinham mesmo que zarpar, e deixar as águas calmas da ria de Aveiro.
Não era nenhuma competição, mas sim a viagem comemorativa dos 500 anos da viagem de Cabral, para aquele encontro com os nativos da costa brasileira. A rota era a mesma, o motivo diferente mas, tão próximo que se confundia: em 1500 comemorava-se então o primeiro encontro entre duas culturas tão diferentes quanto distantes. Por sua vez, no ano 2000 celebrava-se a vida e a obra do bandeirante mais emblemático, de um dos maiores espaços culturais do mundo – o espaço das culturas de língua portuguesa.
E foi assim, que ao passar pelo canal que dá acesso à barra, todos os tripulantes do Barconauta, deixaram em terra, familiares e amigos, uns acenando e sentindo já aquela saudade tão portuguesa, e outros chorando de apreensão e algum medo... Será que voltam? - deve ter sido a pergunta que muitos fizeram em silêncio. Eu, abraçado aos meus pais, também não consegui segurar minha lágrimas.
Um mês mais tarde, chegaram à baía de Cabrália, no dia 19 de Abril, após escala em Cabo Verde, paragem de um dia em Fernando de Noronha, e uma fantástica recepção dos brasileiros na cidade de Salvador, no Centro Náutico da Bahia, com caipirinha, frutos tropicais e fogo de artifício.
A bordo do Barconauta, esse veleiro construído em madeira de teca, nos estaleiros Riamarine de Aveiro, viajaram uma dezena de estudantes da Escola Superior de Educação do Instituto Piaget de Viseu. Entre eles estava essa menina, Mariana, minha irmã.

3 comentários:

Sandra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
FLOT DE MARACUJÁ disse...

Tolice é viver a vida sem aventura!
Parabéns...
Com certeza já fazem parte historia ...
Espero que ela tenha levado um diário de bordo para ter relatado a experiência e a emoção.
O que é a vida sem as emoções?

" A Viagem "

Não vamos fazer planos, vamos apenas viajar
neste barco que nos recolheu
e cujo rumo não sabemos...

Não vamos fazer planos, vamos olhar as gaivotas,
os crepúsculos sobre o mar,
as ondas, as nuvens, os portos que amanhecerão,
agradecer ao destino que nos fez passageiros
do mesmo sonho.

Não vamos fazer planos, não vamos matar as nossas alegrias
modificando roteiros, se não sou o comandante do navio,
se ninguém é,
não vamos matar as nossas alegrias
com itinerários antecipados
como se fossemos turistas ricos
apenas gastando o seu tédio...

Não vamos fazer planos, vamos nos deixar levar
ao sabor das correntes,
vamos agradecer essa viagem como se fosse a primeira
como se fosse a última,
como se fosse aquela viagem há tanto tempo esperada,
que inacreditavelmente se tornasse
realidade...
E o porto onde chegarmos, - qualquer que seja o porto
ou o horizonte de mar que sempre se afastará,
serão o porto e o horizonte
da felicidade...

( autor JG de Araújo)

mariana disse...

a coragem alimenta a liberdade...
a inconsciência da consequência da coragem solta o espírito na turbulência da aventura que é a vida com emoção!
quem é inconsciente da consequência é confundido como louco...os únicos que realmente se eternizam...pelas suas obras!
no outro prato da balança está a liberdade...para não se descompensar (termo de psi, ser realmente louco) e para não açoitar os demais! Saber ir só e até ao limite do outro…
“viajar é preciso…viver não!” já dizia o poeta sonhador...